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Lendas ditas sobre raios

A sabedoria popular, nem sempre tão sábia, criou uma série de noções falsas que podem levar à tragédia:
    
1. Se não está chovendo não caem raios.     
    Os raios podem chegar ao solo a até 50 km de distância do local da chuva. Muitas vezes as nuvens Cumulonimbus produzem raios antes de a chuva cair em determinada região.

2. Sapatos com sola de borracha ou os pneus do automóvel evitam que uma pessoa seja atingida por um raio.     
   Solas de borracha ou pneus não protegem contra os raios. No entanto, a carroceria metálica do carro dá uma boa proteção a quem está em seu interior (sem tocar em partes metálicas). Mesmo que um raio atinja o carro, é sempre mais seguro dentro do que fora dele.

3. As pessoas ficam carregadas de eletricidade quando são atingidas por um raio e não devem ser tocadas.     
   As vítimas de raios não "dão choque" e precisam de urgente socorro médico, especialmente reanimação cardiorrespiratória.     

4. Um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar.     
    Não importa qual seja o local, ele pode ser atingido repetidas vezes durante uma tempestade. Isto acontece até com pessoas. O guarda florestal norte-americano Roy Sullivan foi atingido sete vezes durante sua vida. Por sorte, sofreu apenas pequenas queimaduras, contusões, tombos e roupas rasgadas. Nos Estados Unidos, em 24 de junho de 1995 e em 25 de agosto de 2006, duas das descargas elétricas mais intensas já registradas no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, atingiram a plataforma de lançamento onde se encontrava o ônibus espacial Atlantis.

5. Caem mais raios em locais rochosos.
    Não existe evidência científica de que o tipo de terreno influencie no número de raios que caem. O que sabemos é que em locais elevados caem mais raios de que em locais mais baixos.

6. Devemos cobrir os espelhos durante as tempestades, pois eles atraem os raios.
    Até hoje não foi demonstrada nenhuma relação entre os espelhos e os raios. Havia o costume, cultivado até os dias de hoje pelos descendentes de famílias italianas de, ao menor sinal de tempestade, cobrir os espelhos da casa com lençóis. Quando havia um raio, eles viam o forte reflexo causado por ele nos espelhos e achavam que isso atraía os raios.

7. Andar com uma "pedra do raio" no bolso evita raios.
   Quando um raio atinge a areia, sua corrente a aquece e se for muito intensa poderá ocorrer a fusão dela, formando um pedregulho de aspecto estranho, chamado de "corisco" ou "fulgurito", mas isso não evita raios, não tem nada a ver.

 

 

Dúvidas

1. Redes elétricas que cortam fazendas aumentam os riscos com raios?
    Um raio que cai sobre uma rede elétrica provavelmente cairia no mesmo local do terreno, mesmo se não existisse a rede elétrica. Como a rede elétrica se destaca, ou seja, ela costuma ser um ponto elevado sobre o terreno, raios que iriam cair no solo ou sobre árvores acabam caindo sobre a rede. O perigo que a rede elétrica traz é devido ao fato dela estar ligada à instalação elétrica de casas e edificações. Um raio que cai na rede elétrica ou nas suas proximidades acaba provocando o aparecimento de "voltagens" perigosas na fiação das edificações, podendo queimar equipamentos ligados.

2. Quando um rebanho inteiro morre devido a um raio próximo a uma cerca, é devido ao próprio agrupamento dos animais ou à proximidade do rebanho da cerca?
    Depende. O que atrai o raio é a altura relativa do objeto ou do animal em relação ao solo. Em muitos casos os animais são mais altos que a cerca, e neste caso eles são pontos preferenciais para a queda de raios. Como a altura dos animais e da própria cerca não é grande, eles não atraem muitos raios. Às vezes morrem muitos de uma vez por estarem muito próximos uns aos outros. As árvores isoladas, em geral, atraem mais raios que cercas e animais. Mesmo no caso de uma cerca devidamente protegida (aterrada e seccionada), se um raio cair sobre ela e junto dela estiver um rebanho, provavelmente o resultado será catastrófico. O raio que cai diretamente na cerca energiza apenas um trecho dela, ou seja, o seccionamento e o aterramento evitam a energização de toda a cerca. Apenas os animais junto ao trecho de cerca energizado correm grandes riscos.

3. É possível proteger equipamentos elétricos e telefônicos contra raios?
    Sim. Existem protetores especiais que devem ser instalados nas tomadas e nos telefones. Mas em dias de tempestade é aconselhável desligar os equipamentos das tomadas.

4. É possível proteger casas e edificações contra raios?
   Sim. A norma brasileira NBR 5419 de Junho de 1993 - Proteção de Estruturas Contra Descargas Atmosféricas - estabelece os critérios e procedimentos para a instalação de um para-raios em edificações.

5. É perigoso segurar objetos metálicos durante as tempestades?
   Depende. Segurar objetos pequenos, como uma tesoura ou um alicate, não provoca risco. Entretanto, carregar um objeto (principalmente se for comprido e estiver na vertical, como vara de pesca) em um local descampado pode oferecer riscos, sendo metálico ou não.

6. É perigoso tomar banho em chuveiros elétricos durante as tempestades?
    Sim. O chuveiro elétrico está ligado à rede elétrica que alimenta a residência e se um raio cair próximo ou sobre a mesma poderemos ter o aparecimento de "voltagens" perigosas na fiação, e a pessoa que está tomando banho pode levar um choque elétrico. E mesmo os chuveiros convencionais e torneiras e geral podem ser perigosos, pois se um raio atingir a rede de encanamento, a água poderá conduzir a energia até chegar nas torneiras e nos chuveiros.

7. Podemos operar aparelhos elétricos e telefônicos durante as tempestades?
    Depende. Se o aparelho não estiver ligado à rede elétrica (notebooks e celulares, por exemplo), não tem problema. Caso contrário, não é recomendado, pelo mesmo motivo apresentado no caso de tomar banho. Os aparelhos elétricos e telefônicos que estão ligados a fios podem ter suas "voltagens" elevadas quando há queda de um raio sobre ou perto das redes telefônicas e elétricas, ou mesmo no caso de um raio que caia sobre a casa.

8. É possível se proteger contra os raios?
   Sim. A adoção de medidas de segurança pessoal minimiza bastante os perigos provocados pelos raios. A maior parte dos acidentes ocorre com pessoas que estão em locais descampados. Raramente temos acidentes com pessoas dentro de edificações e de carros.

9. É perigoso falar no telefone durante uma tempestade?
    Depende. Sim se o celular estiver na tomada, ou se for um telefone com fio, e não se for um telefone sem fio ou um celular fora da tomada.

10. Depois da trovoada, sempre vem uma forte chuva?
      Sim, embora possa haver chuvas fortes sem trovoadas e vice-versa. Pode haver chuvas fortes sem trovoadas quando essas chuvas são causadas por uma nuvem Nimbostratus, por exemplo. Ela produz chuva forte, mas não produz raios, pois cresce pouco verticalmente e muito mais horizontalmente, o que não permite a ionização dela por correntes de convecção. Pode também haver trovoadas sem chuva se o observador estiver bem próximo da tempestade, a ponto de ouvir os trovões e ver os raios, mas não a ponto de ser atingido pela chuva. Outro caso é com as tempestades que são mais comuns no oeste dos Estados Unidos durante o verão, onde a chuva cai através de uma camada considerável de ar muito seco, e evapora antes de chegar ao chão, e com isso pode haver raios sem chuva no solo.

11. Se o raio dura apenas frações de segundo, porque o trovão é tão longo?
     O som do trovão inicia-se com a expansão do ar produzida pelo trecho do raio que estiver mais próximo do observador e termina com o som gerado pelo trecho mais distante (sem considerar as reflexões que possa ter). Como vimos, o canal do raio pode ter até 100 quilômetros. Assim, o som gerado por uma extremidade que esteja muito distante pode chegar dezenas de segundos depois de ouvirmos o som gerado por um trecho do canal que estiver mais próximo.

12. A que distância pode-se ouvir o trovão?
     Um trovão dificilmente pode ser ouvido se o raio cair a uma distância maior do que 25 quilômetros do observador. Isso deve-se à tendência que o som tem de curvar-se em direção a camadas de ar com menor temperatura. Como a temperatura da atmosfera geralmente diminui com a altura, o som do trovão curva-se para cima passando por cima do observador.

13. Além da luz, o raio produz alguma outra radiação?
     Além de produzir luz, o raio produz ondas eletromagnéticas em várias outras frequências, inclusive raios-X. É comum ouvirmos ruídos e chiados ao sintonizarmos uma rádio AM em dia de tempestade. Isso ocorre porque o raio também produz ondas nesta faixa de frequência. Graças a essa característica, antenas sincronizadas podem registrar o local de sua ocorrência com precisão simplesmente recebendo a onda eletromagnética produzida pelos raios.

14. O que são os raios induzidos?
    Uma grande dificuldade no estudo dos raios é não poder reproduzi-los em laboratório. Como a natureza não avisa onde e quando o raio vai ocorrer, uma maneira alternativa de estudá-lo consiste em provocar o raio para que aconteça próximo aos instrumentos de medida e no momento em que estiverem preparados. Para que isso aconteça, foguetes especialmente preparados são lançados em direção à base de uma nuvem de tempestade. Eles têm aproximadamente 1 metro de comprimento e levam consigo uma bobina de fio de cobre que se desenrola ao longo da subida. O fio de cobre atua como um gigante para-raios, cuja presença induz a ocorrência do raio. A corrente elétrica do raio passa pelo fio e por instrumentos de medida na base de lançamentos. Outras medidas podem ser feitas também ao redor da base. Raios induzidos foram feitos pela primeira vez no Brasil na sede do INPE em Cachoeira Paulista, São Paulo, em novembro de 2000.

 

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Fontes:

 

http://www.brasilescola.com/fisica/raios.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Raio_%28meteorologia%29
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rel%C3%A2mpago
http://en.wikipedia.org/wiki/Lightning
http://efisica.if.usp.br/eletricidade/basico/carga/raio_relampago/
http://www.igeduca.com.br/artigos/desvendamos-misterios/qual-a-diferenca-entre-raio-relampago-e-trovao.html
http://www.ufpa.br
http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/raios.htm
http://www.inpe.br/webelat/homepage/menu/relamp/relampagos/definicao.php
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